13/08/2018

Conheça os projetos finalistas da premiação

Conheça os trabalhos finalistas do Prêmio Abril & Dasa de Inovação Médica

Categoria Inovação em Genética

Uma bússola no DNA contra a leucemia infantil

A leucemia linfoblástica aguda, o tipo de câncer mais comum em crianças, representa cerca de 25% do total dos tumores infantis. Motivada pela amplitude e alcance da doença, uma equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi buscar nas mutações de DNA a resposta para a multiplicação desordenada de células responsável pela doença. Para isso, os cientistas se debruçaram numa revisão que identificou, entre as mais de 500 falhas genéticas catalogadas em bancos de dados, as cinco mais associadas ao risco de desenvolver a leucemia em seus diferente graus de agressividade. Na sequência, o estudo prosseguiu na avaliação dessas falhas em 350 crianças com a doença. Os resultados dos testes celulares e moleculares auxiliam no diagnóstico precoce da doença, na descoberta de fatores que explicam a resistência à quimioterapia e até na previsão de eventuais recaídas. Norteiam, assim, táticas mais assertivas para elevar o sucesso do tratamento e ampliar a expectativa e a qualidade de vida dos pequenos pacientes.

Estudo translacional em leucemia infantil: impacto de marcadores de disfunções em reparo de DNA no melhor prognóstico da doença

Autores: Claudia de Alencar Santos Lage, Elaine Sobral da Costa, Marcia Gonçalves Ribeiro, Ana Sheila Cypriano Pinto Campos, Roberto Irineu da Silva, Nathalia Dumas de Paula, Gustavo Loureiro da Silva, Gilda Alves, Maria Helena Ornellas, Constança Britto e Maria Cecilia Menks Ribeiro

Instituições: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Colégio Pedro II, Hospital Pedro Ernesto (UERJ) e Fiocruz

Pista certeira para o déficit de atenção

Caracterizado por impulsividade, agitação e dificuldade de concentração, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um distúrbio cujo diagnóstico é tão complexo quanto polêmico – em geral, exige a participação de pediatra, psicólogo, neurologista e psiquiatra. Por isso, entender os fatores genéticos envolvidos no problema pode significar um passo decisivo no manejo do TDAH. Com esse objetivo, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) construíram um perfil de metilação do DNA de pessoas já identificadas com TDAH – trata-se de uma modificação epigenética que controla a expressão de certos genes, isto é, um mecanismo que os ativa ou desativa. Os resultados obtidos por meio de exames de sangue formam a base para a criação de um teste inédito capaz de detectar o transtorno em crianças antes da idade escolar. A certeza do diagnóstico, por sua vez, conduzirá a ações mais eficientes para o controle do transtorno, elevando a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.

Perfil de metilação no transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) utilizando arrays genômicos

Autores: Leslie Domenici Kulikowski, Thais Virginia Moura Machado Costa, Alexandre Torchio Dias, Marilia Moreira Montenegro, Evelin Aline Zanardo, Gil Monteiro Novo-Filho, Fabio Albuquerque Marchi, Julian Gabriel Damasceno, Fabricia Andrea Rosa Madia, Amom Mendes Nascimento, Mauro Muszkat, Claudia Berlim de Mello e Vivian Schuch

Instituições: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Universidade Federal de São Paulo

Pegadas genéticas do risco cardíaco em pessoas com lesão na medula

A inatividade física impulsiona o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca em quem depende de cadeira de rodas para se movimentar. Uma das explicações é o acúmulo de placas de gordura nas carótidas, artérias que ficam no pescoço, de quem sofreu uma lesão na medula. Desvendar o mecanismo que leva ao depósito colesterol nessas importantes artérias, foi o foco deste trabalho feito na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para isso, os pesquisadores realizaram exames de sangue nos participantes, de olho nos padrões de micro-RNAs. Isso porque essas moléculas regulam diversas funções no organismo, estando associadas à suscetibilidade de se desenvolver a aterosclerose, a formação das placas que entopem os vasos. Os voluntários foram divididos em dois grupos, sedentários e praticantes de esporte, e os resultados foram comparados também com aqueles obtidos nos testes de pessoas fisicamente saudáveis. Os achados sugerem que a expressão de micro-RNAs associada à lesão medular pode ser atenuada com exercícios físicos regulares. Com isso, o estudo contribui para o desenvolvimento de estratégias voltadas à prevenção e à melhoria de condutas diante das doenças cardiovasculares nessa população.

MicroRNAs, risco vascular e atividade física em indivíduos com trauma na medula espinhal

Autores: Wilson Nadruz Junior, Layde Rosane Paim, Roberto Schreiber, Guilherme de Rossi, José Roberto Matos-Souza, Anselmo de Athayde Costa e Silva, Décio Roberto Calegari, Andrei Carvalho Sposito, José Irineu Gorla e Alberto Cliquet Junior

Instituição: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)


Categoria Inovação em Medicina Diagnóstica

Uma luz para nascimentos mais seguros

Cada vez mais sofisticados, os aparelhos de ultrassom fazem imagens detalhadas, em 3D, dos bebês no ventre materno. Mas infelizmente essa tecnologia não está ao alcance de todas as mães. No Brasil, estima-se que mais da metade das gestantes nem sequer tem acesso a qualquer tipo de exame no início da gravidez. Isso significa que, na hora do parto, os médicos não contam com uma informação importantíssima: a certeza da idade gestacional. Uma vez que a prematuridade é uma das principais causas de morte até os 5 anos de idade, esse dado é fundamental não apenas para tomada de decisão sobre os cuidados imediatos com o recém-nascido, mas para o acompanhamento de seus primeiros anos de vida. Por isso o esforço de um time da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em desenvolver um aparelho capaz de apontar com mais segurança se a criança é prematura. O dispositivo funciona com um sensor de luz de LED encostado na pele do bebê. A maneira como a luz é absorvida ou refletida ajuda o algoritmo a medir o tempo que o bebê ficou no útero. Essa resposta é decisiva para que os profissionais atuem evitando as complicações que um parto antecipado pode acarretar à saúde da criança.

Preemie-Test, a detecção da prematuridade através da interação entre a luz e a pele neonatal

Autores: Zilma Silveira Nogueira Reis, Gabriela Luíza Nogueira Vitral, Ingrid Michelle de Souza, Juliano de Souza Gaspar, Marconi Augusto Aguiar dos Reis, Maria Albertina Santiago Rego, Paola Conceição, Regina Amélia P Lopes de Aguiar, Roberta Maia de Castro Romanelli, Juliano de Souza Gaspar, Rodney Nascimento Guimarães e Wagner Bento Magalhães

Instituição: Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Usando as palavras para identificar psicoses

O sentimento de medo, estranheza e insegurança, como se a pessoa vivesse constantemente numa realidade ameaçadora, pode levar a sintomas como delírios e alucinações. Mas como ir além da observação subjetiva para caracterizar psicoses se não existem marcadores biológicos desses transtornos? Diante desse desafio, cientistas do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram um método computadorizado para mostrar a relação entre o uso de palavras e as desordens de pensamento – representadas, por exemplo, pela fuga de ideias e dificuldade de manter a objetividade no relato. Numa analogia, assim como um exame de sangue revela ao médico se uma infeção é bacteriana ou viral, a nova ferramenta, barata, rápida e precisa, serve de guia para o psiquiatra diferenciar o diagnóstico entre esquizofrenia e transtorno bipolar, por exemplo. Sem contar que a análise permite acompanhar a evolução do paciente, saber se o tratamento está sendo eficiente e ajudar na tomada de decisões em situações de emergência.

Análise computacional do discurso para diagnóstico preciso de psicose e avaliação cognitiva

Autores: Natália Bezerra Mota, Sidarta Tollendal Gomes Ribeiro e Mauro Copelli Lopes da Silva

Instituição: Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Monitoramento virtual da apneia do sono

Ronco alto seguido de engasgos, sono interrompido ao longo da noite, cansaço exagerado durante o dia. Esses sintomas fazem parte da rotina de quem sofre de apneia obstrutiva do sono, distúrbio que, se não for tratado, impacta a qualidade de vida e está associado a problemas como infarto, impotência sexual e depressão. Para detectar a apneia, a maneira clássica exige que o paciente passe a noite numa clínica especializada, conectado a aparelhos e monitorado por especialistas – estamos falando da polissonografia, exame complexo e caro. Não é de estranhar, portanto, que boa parte de quem sofre do problema continue sem diagnóstico e tratamento. Agora, pesquisadores do Instituto do Coração, o Incor, em São Paulo, testaram uma solução criada pela startup Biologix. Por meio de um aplicativo de smartphone, o exame é feito em casa, enquanto um sensor sem fio, usado no dedo, avalia ao longo da noite a taxa de oxigenação, as alterações no padrão de sono e a frequência cardíaca. Os dados são enviados do smartphone para uma plataforma web que nada mais é do que um laboratório de sono virtual. As informações são processadas e o resultado é enviado para o celular do indivíduo em minutos. O dispositivo ainda permite acompanhar a evolução do tratamento para fazer ajustes caso seja necessário.

Monitoramento digital da apneia do sono

Autores: Geraldo Lorenzi Filho, Otávio Celso Eluf Gebara, Tácito Mistrorigo de Almeida

Instituições: Biologix Sistemas e Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor/USP)


Categoria Inovação em Prevenção

Cardiômetro, um alerta público sobre o coração

Quase mil brasileiros morrem a cada dia devido a doenças cardiovasculares – é como se sete ou mais aviões comerciais caíssem todos os dias sem deixar sobreviventes. O dado está no vídeo de apresentação do Cardiômetro, projeto da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A ferramenta, baseada em um site, registra o número de mortes causadas por problemas no coração – uma a cada 40 segundos – e alerta que muitas dessas vidas poderiam ser salvas se a população tivesse mais informação sobre os fatores de risco dessas doenças. O objetivo é incentivar e esclarecer medidas como a verificação regular da pressão arterial e do nível de colesterol e glicose. E propor desde a adesão ao tratamento dessas condições até mudanças no estilo de vida. No portal do Cardiômetro, estão disponíveis inclusive calculadoras com as quais cada um pode mensurar seu risco cardíaco. As informações apresentadas ali servem ainda como fonte de pesquisa para especialistas e ajudam o governo a estruturar investimentos em saúde.

Cardiômetro

Autores: Gláucia Maria Moraes Oliveira, Marcus Vinícius Bolívar Malachias, Eduardo Nagib Gaui, Raul Dias dos Santos Filho, Denilson Campos de Albuquerque, Renault Mattos Ribeiro Júnior, Osni Moreira Filho, Celso Amodeo, Leandro Ioshpe Zimerman, Walter José Gomes, João David de Sousa Neto, José Luis Aziz, Weimar Kunz Sebba Barroso de Souza, Oscar Pereira Dutra, José Roberto Luchetti e Valdinei Belchior

Instituição: Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)

Um treinamento para evitar os efeitos do bullying

Os desafios emocionais típicos da adolescência ganham contornos ainda mais graves quando os jovens são expostos a constrangimento, sofrimento e angústia do bullying no ambiente escolar. Para mudar esse quadro, um grupo da Universidade Federal da Bahia testou e validou em escolas públicas de Salvador e Vitória da Conquista uma intervenção batizada de Treinamento Cognitivo Processual em Grupo (TCP-G), um trabalho com foco em educação psicoemocional. O programa preventivo deu origem a um manual para alunos com técnicas que, apresentadas de forma simples, podem ser usadas em sala de aula ou grupos de jovens com fatores de risco. Ao longo do processo, são feitos exercícios em classe e em casa para ajudar o adolescente a rever a forma distorcida como encara determinadas situações, a exemplo de rotulação (“Sou incapaz”), generalização (“Nada comigo dá certo”) e conclusão precipitada (“Não adianta continuar, vou abandonar o colégio”). Ao proporcionar uma melhor compreensão do funcionamento da mente e de como os pensamentos se conectam com emoções, a TCP-G traz mudanças comportamentais capazes de melhorar a autoestima, reduzir o nível de estresse e promover relacionamentos mais saudáveis entre os adolescentes.

Tornando-se Mestre da Mente

Autores: Irismar Reis de Oliveira, Mônica Gonçalves Ribeiro, Daniela Reis, Camila Seixas, Dagoberto Bonavides, Ana Cristina Botelho, Isabela Couto, Stefanio Tourinho, Nina Vasconcelos, Michella Velasquez, Cláudia Sena, Glícia Prates, Eugênia Santana e Tamiles Soares

Instituição: Universidade Federal da Bahia (UFBA)

O que fungos no intestino têm a ver com o ganho de peso

Têm sido cada vez mais frequentes investigações sobre o perfil de bactérias que vivem no intestino e sua relação com doenças. No caso da obesidade, embora já se saiba que ela está relacionada com o desbalanço de bactérias dos filos Firmicutes/Bacteroidetes, ainda são escassos os estudos sobre o papel dos fungos que habitam a região nessa história. Pois este foi o tema de um experimento conduzido na Universidade Federal de Juiz de Fora. A equipe realizou exames de sangue e de fezes em três grupos de indivíduos (obesos, com sobrepeso e com quilos dentro do padrão ideal), e a comparação dos resultados mostrou alterações na composição de fungos da microbiota correlacionadas com maior consumo de carboidratos e níveis mais elevados de colesterol e triglicérides no sangue. Os pesquisadores encontraram ainda marcadores associados à resistência à insulina característica do diabetes. Os achados abrem novos caminhos para a modulação da microbiota intestinal como estratégia de prevenção e tratamento da obesidade e de suas consequências à saúde.

Caracterização de fungos intestinais cultiváveis e avaliação da estrutura da microbiota intestinal humana de indivíduos obesos, com sobrepeso e eutróficos

Autores: Francis Moreira Borges, Thaís Oliveira de Paula, Marjorie Raquel Anariba Sarmiento, Maycon Guerra de Oliveira, Maria Luiza de Mello Pereira, Isabela Vieira Toledo, Thiago César Nascimento, Alessandra Barbosa Ferreira Machado, Cláudio Galuppo Diniz, Vânia Lúcia da Silva,Dioneia Evangelista Cesar, Sheila Cristina Potente Dutra Luquetti, Ana Paula Boroni, Patrícia Ganimi Tavella e Bruna de Freitas Alvim

Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)


Categoria Inovação em Medicina Social

Um mapa da nutrição e da atividade física no Brasil

O sobrepeso e a obesidade ganharam escalas epidêmicas no Brasil e no mundo, trazendo como consequência um aumento no número de pessoas com diabetes, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer. Ou seja, o excesso de peso é uma condição de saúde que precisa ser prevenida e controlada. Foi com o intuito de desvendar no país o status de dois de seus fatores de risco – alimentação desequilibrada e sedentarismo – que nasceu o Estudo Brasileiro de Nutrição e Saúde (Ebans), capitaneado pelo Centro de Nutrologia e Dificuldades Alimentares do Instituto Pensi, em São Paulo. Esse trabalho coleta dados sobre o perfil alimentar e o padrão de atividade física de 2 mil pessoas em todas as regiões do país. O conhecimento gerado pelo esforço científico pode fomentar políticas públicas e ações capazes não apenas de alterar o atual cenário de obesidade no Brasil, mas também influenciar programas de prevenção de doenças crônicas.

Estudo Brasileiro de Nutrição e Saúde (Ebans)

Autores: Mauro Fisberg, Ágatha Nogueira Previdelli, Aline Veroneze de Mello, Gerson Luis  Ferrari, Cristiane Hermes Sales, Natasha Aparecida Grande de França, Ana Paula Del'Arco, Irina Kovalskys

Intituições: Centro de Nutrologia e Dificuldades Alimentares do Instituto Pensi/Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e International Life Sciences Institute (ILSI Brasil e Argentina)

Um centro de excelência contra o câncer ocular

Com potencial de provocar mutilação, perda de visão e morte, o câncer ocular exige ações rápidas para ser combatido. Os tipos mais comuns, o melanoma e o retinoblastoma, quando tratados logo no início, têm quase 100% de chance de cura. Unidos para garantir a agilidade necessária para o tratamento desses tumores, oftalmologistas do Instituto da Visão e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) atendem gratuitamente a população, oferecendo acesso a cirurgias e fotocoagulação a laser de lesões. A instituição fornece material educativo, via internet, para oncologistas, oftalmologistas e pacientes, facilitando a comunicação com os lugares mais remotos do país. Além disso, disponibiliza o chamado sistema de segunda opinião OncoPhone, para esclarecer dúvidas e confirmar a necessidade de exames complementares. Em 2014, graças a parcerias público-privadas, implantou o primeiro centro de oncologia ocular da região Norte do país. Nos endereços de São Paulo e de Manaus (AM), os especialistas atendem em média 520 novos casos de câncer ocular por ano, fazem cerca de 2500 consultas de retorno, além de 150 cirurgias.

Centro de Oncologia Ocular

Autores: Rubens Belfort Neto, Melina Morales, Alini Sutili, Marcio Costa, Patricia Ferraz, Ever Caso, Patricia Kange, Renato Sant'Ana, Andre Vidoris

Instituições: Instituto da Visão e Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Primeiros laços: visitas que mudam a vida de jovens mães e seus filhos

Viver em ambiente de pobreza e insegurança prejudica o desenvolvimento cognitivo na primeira infância, período que vai do nascimento aos 6 anos de idade. Mas é possível mudar a trajetória de vida dessas crianças com programas como o Primeiros Laços, liderado por uma equipe do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). Para comprovar a eficácia de um plano de visitação domiciliar a mães adolescentes que vivem em condições socioeconômicas adversas, os pesquisadores recrutaram 80 gestantes, divididas em dois grupos. Num deles, elas passaram pelos cuidados convencionais do pré-natal. No outro, receberam regularmente, em casa, a visita de enfermeiras treinadas. Nos encontros, que se iniciaram na gestação e prosseguiram até dois anos após o parto, as profissionais de saúde transmitiam informações com foco em reduzir o estresse materno e a exposição dos filhos a maus-tratos. As análises feitas ao longo do processo mostraram efeitos positivos nos cuidados das crianças, que repercutiram no desenvolvimento da linguagem e da coordenação motora. Uma iniciativa com potencial para ser replicada e influenciar o futuro das próximas gerações de crianças brasileiras.

Primeiros Laços: um programa de visitação domiciliar para jovens mães e seus filhos vivendo em condições adversas

Autores: Eurípedes Constantino Miguel Filho, Guilherme Vanoni Polanczyk, Anna Maria Chiesa, Alícia Matijasevich Manitto, Helena Paula Brentani, Alexandre Archanjo Ferraro, Lislaine Aparecida Fracolli, Daniel Graça Fatori de Sá, Fernanda Speggiorin Pereira Alarcão, Verônica Luiza Vale Euclydes, Leticia Aparecida da Silva e Adriana Cristina Argeu.

Instituição: Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq/USP)


Categoria Inovação em Tratamento

Células-tronco domando o diabetes

O diabetes tipo 1 é a versão autoimune da doença: nela, o sistema imunológico ataca o pâncreas, acabando com a produção de insulina, o hormônio que permite às células aproveitar a glicose circulante. Sem cura, seu manejo costuma depender da reposição da insulina ao lado de ajustes no estilo de vida. Pois um tratamento pioneiro, concebido no Brasil, propõe um jeito diferente de lidar com o problema. O transplante de células-tronco exige, antes de tudo, que o paciente passe por uma quimioterapia para dar um reset em sua imunidade. Aí, as próprias células-tronco do indivíduo são reinseridas no corpo para recompor o sistema imune, que agora deixa de atacar (pelo menos na mesma intensidade) o pâncreas. Resultado: pacientes podem ficar livres das injeções de insulina e se protegem contra as complicações do diabetes. O método, idealizado e já difundido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), agora colhe novos frutos. Ao comparar a evolução dos pacientes submetidos às células-tronco com aqueles que fazem o esquema convencional, viu-se que os primeiros permaneciam melhores em termos de qualidade de vida. Mais: nenhum deles desenvolveu sequelas do diabetes.

Menos insulina, menos sequelas e mais qualidade de vida para pessoas com diabetes tipo 1 - Resultados de uma linha de pesquisa com células-tronco pioneira mundialmente

Autores: Carlos Eduardo Barra Couri, Maria Carolina de Oliveira, Belinda Pinto Simões, Daniela Aparecida de Moraes, Juliana Bernardes Elias Dias, Ana Beatriz Pereira Lima Stracieri, Andréia Ferreira Zombrilli, Julio Cesar Voltarelli (in memorian)

Instituição: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP)

Touca que salva vidas de recém-nascidos

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, todos os anos 4 milhões de bebês sofrem de asfixia na hora do parto. Desses, cerca de 2 milhões terão complicações neurológicas graves e mais de 1 milhão morrem nas primeiras 48 horas de vida. Por isso é tão importante o socorro rápido, com a promoção da chamada hipotermia terapêutica – técnica que resfria o cérebro para interromper as atividades anormais e evitar a extensão das lesões. Só que os equipamentos usados para isso são caros e disponíveis apenas em unidades hospitalares. Agora, um projeto articulado em parceria com o Instituto Vital Brazil (IVB), Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fiocruz e Ministério da Saúde (DECIIS – MS) criou o primeiro dispositivo de refrigeração projetado para ser utilizado fora do hospital e ao alcance de comunidades sem acesso a assistência especializada. Trata-se de uma touca feita de plástico flexível que, ao ser inflada com dióxido de carbono, forma uma espécie de capacete em torno da cabeça do bebê. Independente de energia elétrica e água, e ativado por gás, o mecanismo garante 4 horas de proteção, tempo valioso para salvar a vida da criança enquanto ela é transportada para uma unidade de saúde com recursos para tratá-la.

Dispositivo de hipotermia focal cerebral para uso pós-asfixia perinatal

Autores: Renato Rozental e Joffre Amim Jr

Instituições: Instituto Vital Brazil (IVB), Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Departamento do Complexo Industrial da Saúde e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (DECIIS – MS)

Esperança real contra a esclerose sistêmica

A perda progressiva de movimentos de dedos e mãos e a falta de ar marcam a evolução dessa doença reumática autoimune. Progressiva, ela afeta as células do tecido conjuntivo, causando fibrose na pele e em órgãos como pulmão e coração. O pior é que muita vezes não responde às medicações. Diante de tamanho comprometimento funcional, o transplante de medula surge como uma saída para minimizar a perda de qualidade de vida dessas pessoas. Os benefícios foram verificados em um grupo de 120 pacientes no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). O método, baseado em células, se mostrou capaz de eliminar o sistema imunológico doente, substituindo-o por outro, renovado e saudável. Dessa forma, fez diminuir o endurecimento da pele e de outros tecidos, melhorando a capacidade muscular e respiratória dos indivíduos tratados – e garantindo a eles mais independência para as atividades do dia a dia.

Transplante autólogo de células-tronco para tratamento de esclerose sistêmica

Autores: Maria Carolina de Oliveira Rodrigues, Daniela Aparecida de Moraes, Juliana Bernardes Elias, Thalita C. M. Costa, Ana Beatriz P. L. Stracieri, Fabiano Pieroni, Renato L. G. Cunha, Luiz Guilherme Darrigo Junior, Carlos Eduardo S. Grecco, Belinda P. Simões, Andreia F. Zombrilli, Vanessa C. Leopoldo, Marília F. C. Oliveira, Aline C. A. Furini, Eliane R. Gonçalves, Talita Graminha Zucoloto, Ana Luísa Carvalho Guimarães, Karla Ribeiro Costa Pereira, Kelen C. R. Malmegrim, Joao Rodrigues Lima Junior, Julia Teixeira Cottas Azevedo e Lucas C. M. Arruda

Instituição: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP)